Número de sílabas (desde 11/2008)

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quinta-feira, 9 de julho de 2020

O AMOR

tem uma dor aqui
uma angústia
a desesperação de uma fragilidade
recém-nascida no sal crispante do lajedo

tem uma dor aqui
que me chama dentro dela
e o meu nome é grito e sussurro
e a única palavra que ela conhece

meu deus, como eu queria
saber falar a língua dela!

tem uma dor aqui
que quer doer só para mim
e meu coração se enche todo
de amor por ela

do outro lado, que importa o outro lado?
não importa se ele existe
tem uma dor aqui
que é uma casa de mil quartos
de mil jardins
e de cornucópias na despensa

e só sabe dizer meu nome, tadinha

08/07/20

sexta-feira, 3 de julho de 2020

POLIGLOTA DE ALMAS


    Ler é ouvir de si mesmo as palavras de todos os outros e tornar-se daí um poliglota de almas.
    Não ler é trocar todas as vozes do mundo pelos gemidos dos fantasmas da casa assombrada pelo próprio silêncio.
    Ler não é só decodificar os signos, tampouco um bom leitor o é pela quantidade ou pela diversidade de temas, gêneros ou idiomas a que se dedica.
    Ler de verdade é ser generoso com o universo alheio a ponto de partilhar do que é oferecido, mesmo completamente diferente, mesmo que choque, mesmo que leve a conflitos e impasses. Ler não é apenas “colher” do texto, mas sim trabalhar a terra, semeá-la, enfrentar o estio e as águas, matar as pragas, para, somente assim, compreender o que se colhe e, por conseguinte, o valor do alimento que os dois, autor e leitor, levaram à mesa.
    Dessa forma, um bom leitor não pode ser como um glutão, guiado apenas pelo prazer da mesa posta. Muito pelo contrário. Um bom leitor é aquele que senta à margem do rio sob o sol, enfia os dedos na terra imunda de vida e compreende assim, totalmente sensorial, o milagre na semente.

03/07/20

SALVAGE

(Clique na foto para ampliá-la e na legenda, para acessar a página de origem.)

a calma e o silêncio
com que o fundo do mar
oxida o corpo férreo dos navios de guerra
comove as bombas sepultadas em seu ventre
— titãs que nunca nascerão.
elas sabem melhor que o mar
o valor daquela finita eternidade.
nas depressões abissais
é que as explosões, dentro do seu impossível,
descobrem a sua razão de ser:
a aniquilação dosada a conta-gotas
comprimida pela escuridão absoluta do mundo
é o perdão terminal dos deuses da guerra.

01/07/20

quinta-feira, 2 de julho de 2020

POEMA CRÔNICO DE DESAMOR

Dói muito mais desamar.
Há coisas que doem, como derramar sal nas chagas ou enterrar os mortos.
Desamar não é nada disso.
Tampouco, lavrar a terra nova depois da fazenda incinerada.
Muito menos, conjurar nuvens que renasçam essa terra.
Desamar não é renascer.
Não é um processo de cura.
Não é ajoelhar-se ante o deus dos tolos, condescendente e perdulário de perdões mal ajuizados.
Não é fazer as pazes com o eu-menino que foi violentado durante o mau amor.
Desamar requer muito mais do que a esperança cândida das madalenas arrependidas.
Desamar não é arrepender-se.
No eito da vida, das estórias dentro da história, jazem nas valas abertas de beira de estrada todos os instantes que a memória cuida de tecer, fiar e refiar em tecidos quase corpóreos, de tão tangíveis que são em sua malha.
Eles são as mortalhas com que se vela o amor morto, e carpida-se, e destroça-se a alma dentro dos ossos que se remoem em desesperação.
Isto ainda não é desamar.
Desamar não é autoflagelação.
Desamar dói muito mais.
Mais que o ciúme e a injustiça, que as injúrias e as humilhações.
Dói muito mais que a simplificação medíocre que é o apodrecer silente na alucinação da rotina que não se escolheu, porém se arrasta bovinamente em carroças de madeira rangentes num sertão sem horizontes.
Infinitamente mais.
Desamar viola todas as leis naturais, viola Deus e o Inferno, posto que, de ambos, ignora os dogmas e as maldições, sendo-lhe inócuo tudo isso.

Desamar é o retrocesso do que não tem retorno.
E, nesse estraçalhar impossível de engrenagens impossíveis, reinventa a máquina, recodifica os protocolos, oprime com o peso absoluto da invariabilidade a explosão do amor, até que ela se reconfigure em combustível; e a chama vulcânica da paixão, em nada, como se nada nunca houvera sido.
Desamar exige mais que a morte, visto que esta traz apenas repouso e transformação.
Depois dela, o mistério.
Desamar é mais que a morte.
Desamar é matar todos os mistérios na gênese, inexistindo-os sob todas as análises.
Tudo que concerne à vida e às amálgamas sensoriais que proliferam como ondas entre os corpos, tudo que é sentimento e intuição, tudo que edifica a casa em que o amor se torna, simplesmente, inexiste.
E inexistir não é esquecer.
Não é obliterar.
Inexistir é alterar o fluxo natural do tempo, coagindo-o a uma progressão instantânea ao seu próprio reverso até chegar à sua origem e, ali, atar-lhe novamente o fio e maculá-lo tão intimamente que ele próprio não terá nunca existido antes daquele ponto.
Desamar é forçar a inexistência do amor.
E, depois disso, não há mais o que falar.

02/07/20

segunda-feira, 29 de junho de 2020

JÁ FUI CAÇADOR DE SONHOS

(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda, para acessar a página original.)

    Sinto saudades dos meus pesadelos originais. Das aranhas intangíveis, do mar de anzóis, dos monstros perseguidores, dos diabos antropomórficos, das quedas abissais. Esses eram fantásticos, cinematográficos. Vinham o terror, o susto, então o despertar e um subsequente sorriso feito de adrenalina e endorfina. Já os de hoje são tão banais, tão novela das oito e, por isso mesmo, tão fatigantes e punitivos… Será que a vida vai apodrecendo até nos pesadelos? Ou perdeu-se mesmo foi a minha capacidade inconsciente de ser original?
    Já fui um caçador de sonhos. No redormir, pelejava com os meus labirintos de além por encontrar nem que fosse um rastro, uma sobra de mim e dos meus vilões de havia pouco. Tive pouquíssimo sucesso nessas empresas. Sonhos são criaturas de vento e fumo, desprovidas de fidelidade e teimosia. Pesadelos, então! São como assaltantes de alma, que levam a paz e deixam a aventura no lugar. Mesmo nessas caçadas exitosas, não conseguia capturar a presa inteira, em perfeito estado. Isso se dava, acredito eu, porque não deve ter muita graça para uma onça fingir que é um peba e enfiar-se terra adentro para ela mesma dormir o seu sono onírico. Caçadora é ela, sempre foi, não eu, nunca eu! Mas, aqui e ali, um sonho deixava-se pegar pelo rabo e corria de novo comigo pela mágica universal da criança que todos nós voltamos a ser quando os caçamos.
    Hoje, sonhar parece ser só algo que acontece, e ter pesadelos não deixa mais a sombra corsária do náufrago resgatado nem a angústia azul-celeste do fugitivo em liberdade. Também é só algo que acontece, arrancando a paz e deixando um buraco prenhe de perguntas renegadas. E a alma, violada, não quer nunca mais dormir. E o espírito, vigilante, de faca na mão, com sangue nos olhos, do lado de fora da casa do corpo, espera. O dia inteiro, espera, até que o dia, esse fascículo rude da vida, insípido como um chiclete frio e mastigado, traga outra vez o acontecimento do sono e vença.
    Não busquei nem fui buscado. Apenas aconteceu. Não tem nenhuma glória o tropeçar em alimento morto, mas come-se, digere-se e espera-se que, dentre o capim seco das primeiras horas, ressurja a caverna de Grenouille, e o meu mundo de aromas me ascenda novamente à selva lisérgica onde minha alma volte a ser das feras a amante medieval, expectante, apavorada e gozosa na torre do castelo.

29/06/20

sexta-feira, 12 de junho de 2020

TOLERÂNCIA


    Sempre odiei o verbo “tolerar”. Oriundo do latim tolěrare (suportar, aguentar), e este, do tollere (levantar), o verbo “tolerar” sobrecarrega o seu objeto direto com a semântica odiosa do erro, da incorreção, da ausência de enquadramento, e o seu sujeito, com a perigosíssima posição de juiz paternalista detentor do poder da “tolerância”, substantivo ainda pior que o verbo. Essas palavras são exemplos tanto da hipocrisia quanto dos preconceitos estruturados na língua e, consequentemente, na cultura (pois a primeira antecede a segunda como causa desta). Pessoas, sexualidades, religiões, etnias, culturas não devem ser “toleradas”, mas sim legitimadas como soberanas em suas singularidades. Somente assim, na pluralidade legítima, poderá haver um legítimo Estado democrático de direito, pois o “tolerante” nada mais é do que um hipócrita com uma casa cheia de tapetes sob os quais apodrecem os esqueletos de seus preconceitos.

09/06/20

terça-feira, 9 de junho de 2020

MADERA


Aunque nadie lo sepa,
lo que dentro de mi canta
llena los espacios
prohibidos a quienes no soy,
donde hay un mar de espíritus bailantes
y todo el sentimiento del mundo.

Sin embargo, los de fuera
intentan callarme
incluso el silencio.

A ellos, les canto
que soy yo mismo una canción,
que reverbero en los huecos donde no estoy
con todas las voces en coro
de aquellos que, como yo,
son madera que,
en el instrumento más precioso
y ante el fuego del infierno,
canta.

09/06/20

ROUPA DE SAIR

(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda para acessar a página.)

de tanto mudar a roupa
de sair
fiz que o domingo passasse
que todos os dias fossem a experimentação
teórica apenas
da rua e do mundo

na agonia da nudez
é que vivia
e o entra-e-sai n(d)os tecidos
polia a pele
para um sol que nunca me viu

09/06/20

quarta-feira, 27 de maio de 2020

SOPA DE LETRINHAS

    Não é isso que quero escrever. Quero escrever que sinto saudades. Faz falta andar de bicicleta de madrugada. Faz falta escrever de madrugada à luz de velas como se isso fizesse o texto melhor. Sinto falta dessa ingenuidade… Conversar horas no telefone com minha amiga N., que não quer mais falar comigo. Com razão. Nunca fui um bom amigo nem a ela nem a F., W., O. etc. Sinto saudades deles todos como sinto de mim mesmo, que fui quem eu mais traí. Não que isso seja de modo algum uma reviravolta surpreendente ou uma obra de forças ocultas a que chamam de acaso, não é nada disso. São favas contadas. Eu só esperava, do fundo do coração, que tivesse se desenrolado diferente, com talvez, digamos, um atraso nas contas do carma ou um adiamento, quem sabe? Eu esperava que eu mesmo só aparecesse para estragar tudo no final da história, numa risada nervosa ou num ataque de fúria, deixando transparecer finalmente que eu não sou, não era, nunca fui direito quem lhes foi amigo, professor, amante, familiar. Eu, eu mesmo, não me sinto nada disso. Talvez, escritor. O caso é que eu sinto enormes saudades… Sinto falta agora, depois de ter visto filmes e ouvido tantas músicas, de conversar com meu amigo W., que já morreu, sobre esse eu que sentiu o que gostaria de compartilhar, mas está sozinho. Como sempre desejara estar. Sinto falta de mostrar meus textos a N., a primeira (a única, na verdade) a me esfregar na cara que eu era um merdinha de um parnasiano. Nunca mudei completamente, mas conversávamos sobre isso, e era tão bom… Perdeu-se. Sinto falta de uma certa injustiça, que era justamente a de me saber desconhecido dos que me amavam. Minha mãe, T., nunca me leu. Tampouco, meu pai, L. Hoje, com tantos textos tornados públicos (menos equivocado que “publicados”), sei que pouquíssimos me leem, e isso não me dói, ainda que haja no fundo um desejo de a ou b os lerem, mas não me dói sobremaneira que não o façam. Porém, sinto falta de sentir falta de ser lido. Existia alguma coisa de romântico naquilo que eu tinha e, principalmente, no que não tinha. Eu me fechava completamente ao mesmo tempo em que desejava ser aberto, mas algo acabava por entrar, contaminando. Com o tempo, essa sílica entranhada na carne emperolou-se numa enorme esfera de cinismo e insipidez que hoje gosto tanto de fazer confundir com literatura. Mas é só isso mesmo. Contudo, sinto saudades de ser uma ostra legítima, aquela que sofria legitimamente uma prenhez forçada de alguma coisa bela na escuridão do fundo do mar. Essa coisa, que eu escrevia, sangrava, silenciava, essa coisa tinha lá sua beleza. Sinto saudades de falar dela… Sinto saudades porque havia um certo encanto na inutilidade daquele martírio, e conversar com C., L., T., R. sobre aquilo me validava enquanto seu amigo. Sinto saudades de me embriagar com eles, ainda que não houvesse ali nenhum pertencimento de minha parte. Era só minha solidão compartilhada no fundo do copo. Mas, como me faz falta… Hoje, não sinto mais vontade de beber nem de sair para beber. Não sinto saudades do blues, que tanto ouvia com I. e com O. Mas sinto saudades de mim com eles. Eu estar com eles era eu. E isso já não existe mais definitivamente. Hoje, eu me contento, infelizmente, com saber de tudo isso. Saber que, se W. estivesse aqui, eu poderia ligar para ele e comentar sobre a descoberta tardia da Lhasa de Sela, via L., amiga nossa em comum, e dizer de todas as maravilhas que a voz dela me refez sentir. Se não tivesse me distanciado de R., de A. ou de M., eu poderia ou estar bebendo debruçado sobre uma crítica de filme ou pedalando numa noite qualquer dessas, rindo das pessoas no meio da rua. Poderia estar jogando vôlei com F., J. e K., poderia estar ouvindo Led Zeppelin com M. Poderia ter, se não houvesse acontecido tanto, de novo a companhia de F. numa de nossas aventuras impossíveis e absurdas de quem não tinha dinheiro e conseguia realizá-las. Saber disso é o que tenho. Isso e as letras, que tomaram o lugar de seus nomes numa sopinha de lembranças de um enfermo crônico de gripes e de crônicas. Padecer ainda é sonhar, e sonhar, bem… Sonhar ainda é interceder com violência contra essa vida besta drummondiana.

27/05/20

sábado, 9 de maio de 2020

O COLECIONADOR


    E se ele fosse desses homens que são definidos pelas posses? Desses, a quem a vida só marcou na coleção de canecas ou nos discos acumulados na estante? Agora, quando tudo parecia estar se pondo a termo, inclusive lá fora, a vida dos outros, inclusive a terra, o ar, os pandas-vermelhos, agora, ele seria desses com gavetas no caixão? Sofreria em vida com a avareza dos mortos, que, não mais tendo outra coisa que não a própria matéria, reconstroem-se no fetiche que outros poderão vir a sentir pela matéria acumulada por eles? A matéria, essa sim guarda os acontecimentos, porque acontecimentos, para serem memória, precisam estar documentados, registrados — “Aqui, esta pedra eu catei no jardim do passadiço que dava na entrada da casa dela, naquela noite de tanto medo e fatalidade, que se converteram em cãs, filhos, barriga e dívidas, inclusive e principalmente comigo mesmo…”. Disso ninguém saberá? Inaceitável! Mas são coisas demais… Tudo parece demais. Andou tendo amnésias do que não poderia esquecer, do antes, do imaterializado, do sem registro. Sua incomunicabilidade não lhe permitia passar adiante essas coisas. Mas essas coisas… essas coisas não se passam adiante, soa até errado, como um contágio, um espargimento de moléstias, ainda que sejam, de fato, em sua maioria, lástimas, lástimas pelo que não teve, pela consciência da impossibilidade de ter, lástima pelas perdas, e foram tantas… O que seria dele sem suas perdas? Havia por certo de mantê-las, mesmo que fossem materializadas em expressões, em silêncios e em inações. Haveriam de ser vistas, todos haveriam de sabê-las, elas não se perderiam no tempo. Lembrou Blade runner, estava chovendo. Onde estariam os pombos naquela chuva? Mas pombos espalham doenças, e lhe vieram de novo as visões de pragas e pandemias. E se escrevesse? E se rabiscasse tudo em alegorias floreadas, acumulasse as brochuras e deixasse, como último bilhete, o desejo de que fosse tudo incinerado junto com seu corpo, tornando-se tudo uma só matéria, esfumaçando a atmosfera em fuligem e pó, que incomodariam, que fariam todos saberem? Mas, de certa forma, a memória das coisas que incomodam tende a só ser recuperada na presença da causa. Ele, como causa, nunca mais seria presente… Tornou-se sem efeito sua divagação. Não havia jeito. Tinha de desfazer-se de tudo. Deletar-se, aniquilar-se. Na inexistência, talvez, na lacuna deixada como uma pergunta — “Ué, cadê?” —, causasse o efeito que tanto temia não causar. Talvez, inexistindo, existisse. Pôs em prática imediatamente o projeto. Etiquetou o que dava, arrolou tudo em listas, que deixou em locais estratégicos. Não faria estardalhaços. Nada de bilhetes, e-mails nem gritos na janela. Haviam de achar tudo, haviam de testemunhar seu desaparecimento em todas as coisas testamentadas, e só. Ao final, aflito e orgulhoso, abandonou-se no sofá. Diante dele, a tevê. Sentiu vontade de assistir à última programação, que era sempre a de costume. Endilemou-se entre ligá-la ou não, já que estava com alguns post-its no monitor. Pensou em como odiava a maneira canalha como a língua inglesa havia feito embaixada em sua vida. Post-it! Seria lembrado como aquele que deixara post-its? Arrefeceu, achou melhor ler alguma coisa na internet ou algum e-book de estimação. Os livros já estavam encaixotados, o celular teria de dar conta. Levantaria, abriria a caixinha original, colocaria de volta o chip e o cartão de memória — dera-lhe tanto trabalho etiquetá-los! —, veria alguma coisa… Não, era enfadonho demais. Olhou em volta, havia papeizinhos por toda parte. Pensou em sair, em fugir, em realizar o desejo do José, o do Drummond. Sorriu. Também não tinha parede nua para se encostar. Quem sabe, uma mulher nua, então? Àquelas horas, mas… não há tempo em que elas não trabalhem. Precisou de ar. Percorreu a sala, chegou à porta, mudou o último post-it de lugar a contragosto — dera-lhe tanto trabalho! —, saiu. Sentiu vontade de comer pão passado com café. Adorava café. Ao lado da padaria, haviam aberto uma papelaria moderninha, com esses post-its coreanos. Quem sabe, não seriam colecionáveis?

08/05/20