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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

ÁGUAS


(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda, para acessar a página de origem.)

(lá fora,
uma melodia aquosa e desgarrada
prenuncia as águas.)

— mas é setembro ainda.

— o quase, em meu coração,
é destamanhado.

16/09/21

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

PRECIPITAÇÃO


foi um corisco numa noite
de falta de energia elétrica
— era Deus dizendo
que é mais bonito assim

foi a chuva subindo raios
do mar às nuvens
na praia de minha infância
— meu céu era feito de búzios salgados
e auroras

foi a rua molhada
com meus filhos
foi o sertão colorindo as virgens
foi a folga do trabalho
que a cidade inundou

foi uma chuva forte essa de quando
nem se notava
mas na hora certa
a semente guardada entendia
que sua casa era aquele chão
e que era possível raiar
naquele escuro

18/12/20

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

JANEIRO

(Foto: Fernando de Souza. Clique para ampliar.)

gota a gota, o jardim aceita a chuva,
que tira do telhado
a roupa do verão.

debaixo, a terra, no escuro,

a despeito de seus arrepios
— a que chamamos primavera —,
planeja os rios que sangram nos mares,
onde mora a alma das chuvas.

o que somos
simplesmente assiste,
temeroso e encantado,
entre bicas, goteiras e enchentes,
ao petalar-se das flores que desabrocham em nós
e à miséria da lama que soterra vidas e memórias.

nos hiatos de sereno,
em que até a lua chora, melancólica,
lacrimeja o peito sertanejo a aurora
e o orvalho matinal da invernada.


31/01/20