Colagem fuleira do autor sobre cena de 300 (Zack Snyder, 2006)
(Clique na imagem para ampliá-la.)
Hoje, minha Fortaleza completa 300 aninhos de fundação (a data é uma convenção controversa, mas não importa).
Nem parece. A Desposada do Sol tem uma superfície moderna, às vezes, até demais, contrastando com sinais do abandono e do tempo, apinhada de lixo e de néon, de fios de poste à moda de Nova Deli e de arquitetura brega-futurista, de Porsches e de carrocinhas de cascas de geladeiras de tração desumana.
Na profundidade, Fortaleza é velha e compulsoriamente desmemoriada. Desde as valas comuns com corpos de retirantes mortos nos campos de concentração encontrados nas obras do Metrofor até a cela de D. Bárbara de Alencar, não sabemos direito quem somos. Lembramos mal, à força.
Ainda assim, persistimos na manutenção de uma identidade. Da pilhéria moleque ao pioneirismo em tantas áreas, ainda somos um povo, ainda podemos nos identificar uns nos outros.
Feliz aniversário pra nós, parabéns à nossa capacidade de existir e de resistir, “apesar dos perigos”.
13/04/26

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