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Vem, chega mais perto.
Faze-te de ar e me falta,
que já não fazes mais falta.
És familiar
como esse eu
que transita impune pelos espelhos.
Porém, é só o que te imponho:
ao contrário de mim,
não excedas a tua forma,
pois, ao que transbordo e sobejo,
essencias-te;
ao que me fragmento e abandono,
eternizas-te;
ao que me vou,
aportas.
Não te incomodes:
deixa tudo o que não és sobre o aparador
e vem,
pés descalços,
mãos vazias,
ventre oco.
Guarda aí o espaço que me reservaste.
Vê, eu te trouxe pão e tapioca
de longe, de quando éramos todos
filhos de nossos pais.
Tenho aqui um café e um punhado de estórias
que bem dão uma constelação a mais
em tua Noite,
essa Noite enorme,
mais clara que o dia,
que, há tanto, me anunciaste.
Que não fales,
que não rias,
que não digas os sabores de tua vinda,
não me importo.
Hoje eu escolho a prosa e o sorriso,
o monólogo suave e casual
diverso de tudo,
feito apenas de palavras inéditas
de uma língua recém-nascida.
Senta-te ao meu lado esquerdo,
que é onde fica minha saudade
― tão antiga e exata como tu —,
e deixa que ela também te fale um pouco.
Já não desespera;
está em paz.
Aqui, fico eu assim, em portas de domingo:
um riachinho reabrindo
o velho rio de minha vida.
Só para ti.
16-19/11/25

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