Número de sílabas (desde 11/2008)

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Te Desejo Vida

Composição: Flávia Wenceslau

Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vierem as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vierem as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar...


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PALAVRAS SÃO SAZONAIS



(para Lidiane, meu lampejo de vida e inspiração, este poema-diálogo com fragmento de Samba da Bênção, do nosso mestre em comum Vinicius de Moraes)


Palavras são sazonais, meu bem.
Elas estiam,
depois chovem
e não se dão de nenhuma primavera.
São filhas temporãs da prenhidão perene
de uma deusa preguiçosa, sestrosa e boa,
que nos irmana a todos em seus filhos,
para devorar-nos incestuosamente,
levando-nos de volta à mansidão primitiva
de uma pré-existência ideal:
um verbo que chove e tudo origina.
Por entre as ruas, os esgotos e as almas,
arrastam pelas cidades do espírito a secura e o mormaço,
travam gargantas,
rompem pontes,
enxurram tudo com correntes que só respeitam
barquinhos de papel.
Elas, as palavras, são ateias
e, sem que se por elas ore,
vêm diluviosas e pagãs,
irresistíveis, magníficas, heréticas,
feminis "como a pele macia de Oxum".
Meu bem,
as palavras, quando te faltam,
são o que teu corpo usa para vestir o mundo de ti;
são além:
a erma promessa de te dizeres imaginação,
que é a carne do lindo sonho que és.


18/01/11

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

P


Fiquei preso num intervalo
Na letra central de um palíndromo perfeito:
“Ame o poema”.
Um “ame-o” indo que jamais encontrará o que é vindo.

16/01/11

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ILUMINAÇÃO


Ilustração de Daniel Danger

A sermos loucos, sejamos antes iluminados.
Com não o sermos, finjamos irradiar loucura,
para que ela se vá
e refrate-se no gentio ocupado e vítreo,
para que, ao voltar pródiga, ilumine-nos enfim
com a mesma loucura de uma mãe por seu filho,
de uma raiz por sua terra,
de uma vida por seu fio.
A sermos loucos, sejamo-lo assim
como o são as coisas mais simples e estúpidas:
a gargalhada de uma velha,
o espatifar de uma garrafa,
o espraiar-se da espuma de uma onda.
Sejamos opacos e obtusos e frágeis, muito frágeis.
Os frágeis sempre perduram,
porque vive neles o segredo da inefabilidade da vida.
Deixemos o diamante ser-se e cortar vidros
— sejamos a esparsa terra onde tudo vive e tudo morre.
Morramos, inclusive.
Em nós, não haverá tal que não nos seja
quando estivermos findos e idos e livres.
Não haverá coisa em nós que não enlouqueça
da suprema liberdade de não haver mais alma que nos contenha o espírito.
A sermos loucos, sejamo-lo direito.
Cuidemos. Sejamos ciosos com as asas de nossos sonhos.
Deixemos o ar frio da noite enclausurar-nos no escuro
para que um dia raie vingativo e bom
espaldado em nossas cadeiras de cipó
onde nossas histórias nos balancem divertidas,
contando-nos quem nós fomos.
O que fomos, é preciso esquecermos
para que nos soe novo e outro e tão alheio que,
desesperados de rir,
arquejemos como crianças sujas: “somos nós!”

12/01/11

JANELA DO QUARTO DE DORMIR

Poema-irmão de Quarto de Dormir, de Rebeca Xavier.

E a menina trouxe o céu pra dentro
e chovia, e raiava, e entardecia, e crepusculava
ao seu bel-prazer.
Até que, um dia, fez-se a noite,
e uma estrela linda e solitária refletiu-se
numa colcha de retalhos estendida
entre os dois céus:
um que o outro continuava
num fluido desapego de madrugada.

12/01/11

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

THE OVERDRIVE HAIKAI


This is the life's overdrive:
Instead of flowers,
We’d rather be the beehive.

06/01/11


O HAICAI DO EXCESSO

É o excesso da vida:
Fica a colmeia
Pela flor, que é banida.

06/01/11

domingo, 2 de janeiro de 2011

DA TERRA

Foto: Sara Marques

Era um solo comum
Desses de horta e de cova
Que me recebia.

Era um laço firme entre a carne e a pedra
Que se formava.

À margem da casa,
Animais de carga e seus donos e
Moleques livres
— os filhos naturais daquele úbere.

Eu, adotado, fui aos poucos me desguarnecendo
E me tornando simples
— uma pedra de rio, um seixo ovalado —
E me fazendo irmão
Dos que se lembram dos nomes das coisas.

31/12/2010

sábado, 1 de janeiro de 2011

PARA INÊS


Que essa felicidade toda,
De repente, exploda,
E respiremos o pó
Do que, um dia, sonhamos estrelas.

01/01/11

O FADO DO AMOR EM NOVE HAICAIS

Ele a cobriu de estrelas,
E a noite, nua,
Não mais pôde contê-las.

E a lua, desolada,
Jaz atônita:
Pérola almiscarada.

A iluminada moça,
Com uma troça,
Pisa a lua na poça

E, displicentemente,
Ignora o céu
Vaidosa e cruelmente.

Não mais se faz presente
O amor do amante;
Fora estrela cadente

Ao fulgurar valente
Por entre os zelos
De amor incandescente.

Fora astro vanecente:
A casa ígnea
Da cinza penitente.

É o manto saqueado
Do alado negro
Que ora lhe veste o fado

De contemplar o vácuo:
Nunca fora luz
O amor de fogo-fátuo.

01/01/11

DOIS HAICAIS DE DEZEMBRO



I

Descortinadamente,
Um sorriso só
Raia sóis no poente.

II

O laço repartido
Rompe a luz tíbia
Do amor desfalecido.

12/10