escrever é um trabalho que me dou
sem a preposição a
objeto direto regido por verbo
bi
tran
si
ti
vo
presente que se dá
num acontecimento
maior que eu
porém e porque
carrega uma vida inteira pretérita
e imperfeita
não sou como o homem
que vai ali e compra pão
que atravessa a rua
que banha a quinta-feira
com sabonete para a sexta
monto o meu calendário de cubinhos
e o dia virado
é quando digiro o pão
comprado amanhã
a fome não cabe no texto
a fome é o texto
devorando tudo
enquanto escrevo, observo
como se não fosse só
a palavra que me veste
escrever é o trabalho de queimar
as roupas na fogueira
a identidade
os dentes de leite
é montar vigília à espera
da escuridão
14/12/24
Este blogue se destina ao uso artístico da linguagem e a quaisquer comentários e reflexões sobre esta que é a maior necessidade humana: a comunicação. Sejam todos bem-vindos, participantes ou apenas curiosos (a curiosidade e a necessidade são os principais geradores da evolução). A casa está aberta.
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sábado, 14 de dezembro de 2024
VINTE POR NOVE
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