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terça-feira, 4 de novembro de 2025

CAMPO BRANCO

Foto: Gerardo Filho
(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda, para acessar a página de origem.)


é preciso cuidar do invisível
do insensível aos amigos
à família
aos deuses

é preciso guardar o ofensivo
ainda que a ele infenso
mesmo que dele enfermo
que por ele constrangido
que a ele adverso

pois é no diverso
no contrapeso do que é útil
que sustenta o nosso frágil relicário
e resiste a sempre fina luz
da nossa impossível dança

que rejeita a festa
que enfeita a vida
no vento das solidões

é preciso deitar na água
é preciso desaprender a andar
é preciso captar a essência
anterior a si
mas que ainda vibra no gesto sem cálculo
na desordem suave
de um banho de mar

é preciso cuidar, enfim, do ignorado
mantê-lo dançando em salões vazios
sob a chuva fina por detrás dos olhos
por detrás da alma
nos campos brancos de nosso mais íntimo
sertão

04/11/25

sábado, 16 de janeiro de 2021

CONTENÇÃO

 os dedos estancam
 — é a memória em seus calos —
a efusão cardíaca
antes que as palavras deem-se ao touchscreen
como suicidas de penhascos.

inertes, emuralham como um dique
o sentimentalismo esquizoide
— caramelo de frigideira —
até que a água cumpra o seu papel,
que é o de abandonar os corpos.

16/01/21