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segunda-feira, 20 de julho de 2020
REUNIFICAÇÃO
(Ao meu querido Rafael Sousa, que me instigou a escrevê-lo.)
eu me desaparelhei
como uma flor que se despetala
— um malmequer desses da vida.
hoje, nem sou nem tenho.
perdi todos nesta última década,
meus dez últimos anos de amor,
e sê-lo esqueceu-me.
o vento curou no rastro
e me achou o estame hirto, seco,
a face voltada para o muro,
uma sombra sob a sombra.
no caminho, apagou-me as pegadas,
e parece que nasci aqui.
não importa.
ao tocar-me, voejou-me,
e amanhã serei vento também,
um movimento sem começo e sem fim,
que tem uma tendência linda,
indiferente e justa
à reunificação.
20/07/20
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