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sexta-feira, 29 de julho de 2011

GAMBIARRA BLUES BAND - RASCUNHO DE BLUES

RASCUNHO DE BLUES

Gambiarra (s.f.) - No Brasil, o significado predominante seria “improvisação”. Em Portugal, o significado predominante seria “extensão de luz”. Entre outros significados, destacam-se “ramificação de luzes” (Ferreira, 1999), “ligação fraudulenta”; “gato” (Houaiss, 2001), “relação extraconjugal” (Navarro, 2004). Um dos sinônimos para o termo “gambiarra” é “jeitinho brasileiro” (Boufleur, 2006). O termo “gambiarra” costuma ser usado também como adjetivo, significando “precário”, “feio”, “tosco”, “mal-acabado”. Inflexões modernas da palavra (gírias), no sentido de improvisação: “gambis”; “gambi”; “gambota”.

Gambiarra Blues Band é uma banda de blues, rock e country formada por professores de diferentes áreas que são apaixonados pela música que fazem. Seu repertório não se restringe apenas a músicas estrangeiras, pelo contrário, como o próprio nome sugere, transformam e adaptam músicas brasileiras de vários estilos à batida do blues. Vale a pena conferir o seu trabalho. A banda é composta por:
Washington Costa (violão e voz)
Naiana Iris (voz)
Fernando de Souza (gaitas e voz)
Lucas Teixeira (guitarra e voz)
Antônio Ortiz (guitarra)
Henrique Bezerra (baixo e voz)
Marcos Davi (bateria)

Link da música no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=tYquCjyGc-o

Contatos no Facebook:

quarta-feira, 13 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

DAGUERREÓTIPOS


E as fotos, assim como os rostos, eram todas as mesmas. Todos sorriam cheios de nada, desse nada que preenche espaços visuais.
Atrás da câmera, uma registradora de toda aquela vanidade, alguém que a procurava, certo de que lá estaria quando se percebesse olhada. Como se enganava! Sempre se percebera olhada, mesmo não o sendo. Sempre se tivera de mostrar, sempre sentira a obrigação de ser vista, percebida, registrada indelevelmente. Adorada. Ela era um sorriso lindo, uns olhos faceiros, um conjunto desarmônico de sardas e covinhas — tudo que achava conjuração de desejo por quem quer que a tivesse. Já ele dera o azar de ter olhos que desejavam vida nas cores e razão nas linhas, nas curvas, nas formas. Ela era anúncio de revista, e só. Ele queria, coitado, uma ilustração de livro — ainda que fosse de uma língua que balbuciasse, que, tartamuda, hesitasse o enredo, ocultasse a personagem…
Fadaram-se ambos aos dois lados da câmera que nunca os retrataria como eram.

06/07/11

sexta-feira, 1 de julho de 2011

TEIMA


Desde que não o tempo me escorrace,
teimo
porque sei e porque posso
acima de tudo que não posso.

17/07/11

SUSPENSÃO


Deixar de ser é mais difícil que mudar.
Portanto, ser não sendo, ou seja,
guardar na estática do ente um outro hesitante,
um ente ausente,
é dormir de um sono que vive entre
as luzes do dia e a hora que se torna
a praça onde brincam os seres que dormem
dentro do que somos.

01/07/11

FOI O QUE TE DEU CONSISTÊNCIA DE MATÉRIA


Até então, eras trigonometria
Abstrações não-táteis como fé ou frio
Um estágio ente no imaginário
Variável da pareidolia.
Saber-te era arriscar-se pio
Na fractária psicodelia
E, lisérgico, conjurar-te a um lio
Quando, erma, eras só poesia.

Daí, súbito, entrou-te um rio
Que de mim veio e a ti corria
No qual, toda vez que te invadia,
Ia eu, diluído em galanteio.
Fiz-te plena, fiz-te cheia
Com o que de mim mais merecias.
Foi o que te deu consistência de matéria:
Sendo lua, dei-te um mar onde reluzias.

29/06/11

terça-feira, 7 de junho de 2011

LINHA DE PASSE

Marcelo Zocchio & Everton Ballardin -

      Aquele professor havia pendurado as chuteiras. Alegara que os cartolas do MEC queriam que ele simulasse falta a cada lance, pois diziam que o juiz tinha tentado consecutivamente e sem sucesso todos os ENEM e acabara entrando pelas cotas na plêiade da SEDUC.
    Em seu lugar, colocaram prestos um moicano semianalfabeto de 19 anos que engravidara uma menina-maria-chuteira de 17, por representar melhor a cultura de seu país.
      E viva o futebol-arte!

07/06/11

domingo, 5 de junho de 2011

DESCAMINHO


Morte é uma coisa que vem vindo, vem vindo, disfarçada de idade, travestida em rugas resignadas, sestrando artrites, acenando doençazinhas… Morte é a idade.
A minha, quando chegar, para seu doce espanto, já vai me encontrar velho.
Terá pouco de fazer: talvez um afagar de cabelos, um beijo nos olhos, talvez só um cafezinho silencioso, amigo — bandeiriano. O silêncio nos colocará no mesmo patamar — também fui eu ao seu encontro e encontrei-a pronta, também eu não desejara a parlenda de uma visitante desconhecida.
No mais, ficam esquecidas as pequenas coisas: os papéis nunca lidos, os sapatos gastos, os porta-retratos ansiosos por reencontros. Ser velho como ela o quer é não precisar. É desfolhar-se um outono na folha, que suicida as árvores que fora e que nunca fora.
Outro dia, disse do ideal ser um pé de vento que me viesse e me desenraizasse, que me morresse uma morte com asas, com ar por todos os lados, arrebatadora. O que não sonham os desvalidos…
Quando ela vier, eu já serei brisa, já terei ido e vindo, já serei descaminho, estrada vicinal que nunca se dera de rodovias.
Quando vier, serei eu quem dirá com um leve meneio de olhos aonde irmos. E ela saberá.

06/05/11

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Viagem de Novembro


VIAGEM DE NOVEMBRO
(Erasmo Disbel)

Foi uma vez
Numa triste tarde de novembro
Logo eu parti
E aos poucos te perdi de vista
E viajar foi como morrer
Só em saber que na manhã seguinte
Estaria assim tão distante
E não veria mais teu sorriso
A morte rondou-me a cabeça
E conter tanta dor foi preciso
Amanheci
Era uma dia triste ainda em novembro
Te busquei em vão
E aos poucos lembrei da viagem
Mas estar aqui é como nem estar
Pois estás sempre comigo
Aqui no meu coração
O pensamento guiando a saudade
Voa qualquer légua
Pra estar com as pessoas
Que mais amo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

FÉRTIL


Submerso nos vapores de sódio
e nos mormaços das primeiras águas da tarde,
emerge um poema
que cheira a bosta,
pelo que muito agradece
a semente do meu amor.

25/05/11