a memória é isto:
fantasmas de afetos e desafetos
em corpos que não se lembram mais de mim;
é existir em lugares
que não existem mais;
é ser um país de apátridas
em exílio;
é a súbita queda findando um sonho,
que não é súbita nem é queda,
mas continua caindo e caindo;
é dormir sem remissão;
é acordar sem consciência;
é esmolar sem esperança;
é viver sem a matéria;
é morrer sem a matéria
e deixar que a matéria me resgate;
é um corromper-se sádica
em punição a mim;
é um ser exata e maquinal
em detrimento de mim;
é, quando o agora colapsa,
o amontoado de lapsos
de todos os colapsos anteriores;
é, por fim, um disfarçar-se
em pensamento intrusivo,
em ideia desastrada,
em consideração absurda,
em projeção fantástica,
em autoanálise impiedosa,
em fantasia de poder,
em escape,
em fuga,
em mim.
08/06/24

Este blogue se destina ao uso artístico da linguagem e a quaisquer comentários e reflexões sobre esta que é a maior necessidade humana: a comunicação. Sejam todos bem-vindos, participantes ou apenas curiosos (a curiosidade e a necessidade são os principais geradores da evolução). A casa está aberta.
domingo, 9 de junho de 2024
LAPSOS
Fabrizio Torchia - The Phantoms of the Brain
(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda, para acessar a página de origem.)
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