Número de sílabas (desde 11/2008)

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quarta-feira, 14 de março de 2012

MERGULHO

Michael Deutsch

Devemos sempre nos observar
Pelo menos uma vez por dia
Sob a ótica de um mergulho:
Aquele momento místico do homem-peixe,
Liberto de todas as suas naturezas.

14/03/12

domingo, 4 de março de 2012

LA VIDA DE MERCEDES

(A Natália Pinheiro, que lo compuso en diálogo conmigo. Gracias, mujer.)

Uno hay que resistir, aunque no tenga ganas, ni metas, tampoco quien se dé cuenta de ello. Hay que resistir porque no hay cosa más verdadera en la vida.

04/03/12

quinta-feira, 1 de março de 2012

DE VOLTA À IDADE MÉDIA

Nani

Apesar da escuridão, tudo nunca esteve tão às claras! Enquanto se espalham uma cegueira religiosa e um ódio contra tudo o que é diferente ao “fiel” (aspas gigantescas), políticos-pastores-padres-etc. são eleitos por suas congregações com a única finalidade de legitimar um Estado cego, opressor, vinculado à abstração dos dogmas religiosos e, por isso mesmo, essencialmente corrupto, visto que não governa pelo princípio da justiça laica.
É óbvio que isso não tem nada a ver com a fé. A fé existe inerentemente ao ser humano, mesmo aquele que diz não tê-la. Fé é a capacidade de crer no abstrato, no que é imperceptível aos sentidos naturais. Fé é a grande metáfora da vida. Mesmo os ateus têm-na, ainda que a tenham materializada, dissecada, logicamente embalada pelos braços da Ciência.
Não, meus caros. Isso tem a ver com a velha prática eleitoreira de desviar a atenção do povo a uma ameaça irreal, montar nessa suposta ameaça e levantar uma bandeira, um pavilhão de “defesa de Deus” contra o horror do “mundo”. Eles são o mundo. Nós somos o mundo. E o mundo, parecido ao que Darwin teorizou, pertence aos mais adaptados. No caso, aos mais “espertos”. Sim, pois é preciso alguma esperteza para entender o funcionamento da religião na mente das pessoas simples, das complexas, das alienadas e das militantes. Na cabeça do brasileiro, religião (as derivadas do Protestantismo, principalmente) passou a ser algo como uma facção, um clã. Uma temeridade, não ter vínculo com ela!
Benett

E fica essa pivetada tratando religião como se fosse time de futebol no Facebook… Porém, faz sentido. Seus ídolos em várias áreas fazem, além do “s2” com as mãozinhas estúpidas a cada gol e a cada aplauso idiota, sinais de louvação, de júbilo, de agradecimento. Seria até bonito, caso não fosse marketing.
Nani

O caso é que, voltando à política, possibilitou-se o sonho dourado de qualquer partido ou facção: uma base eleitoral pronta a corroborar cegamente tudo o que estiver sob a flâmula da cruz e do calvário, sem ponderações, sem maiores envolvimentos. Afinal, que “fiel” (aspas olímpicas!) levantar-se-ia contra o seu “pastor” quando este pregasse a “palavra” diante da Presidente, aquela “mulher do mundo”?
Consequente a isso, o que viria? Talvez, uma acusação de “impureza” ou de “possessão” por parte do coisa-ruim na coisa pública, seguida, obviamente, de uma candidatura heroica e “desejada por Deus” de um Marcelo Crivela da vida (ontem, noticiou-se a sua indicação a um ministério), sobrinho de um dos homens mais odiosos da nossa contemporaneidade, e membro (se eu não me engano, “bispo”) de uma das mais bem-sucedidas quadrilhas do mundo?
Tudo me parece favas contadas. Tudo me parece óbvio. Tão óbvio quanto uma leva de “fiéis” (aspas bíblicas!!!) postar, de coração clemente e indignado com estas mundaneidades, figurinhas (à semelhança dos “tazos”, vocês lembram?) com os dizeres “Meu Ídolo morreu por mim, e o seu?” ou (o melhor de todos) “Se você ama Jesus, compartilhe” após esta crônica.
O que será que eles diriam caso lhes fosse perguntado o real significado de compartilhar?

01/03/12

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

INSIGHT


Decepção é acordar dentro de alguém e estar sozinho.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

CHANGE

To change partners, change patterns.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

FIANDEIRA


Todo texto é um tecido, uma trama, uma tessitura. Escrever é costurar a roupa, o uniforme da realidade que quisermos, ou somente desfiar os véus que a encobrem e expor-lhe a nudez. E é desse mundo que se retiram o linho e a seda de sobre as filigranas das metáforas, como um avesso diferente de tudo o que se imaginara haver sob os trapos e os andrajos da vida real. Assim, mata-se o frio do mundo: com as palavras.

21/02/12

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

STALLONE & SCHWARZENEGGER vs. SEU LUNGA

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

DA MORTE E OUTRAS VORAGENS

Paul Groom - Vortex

Nada nunca é imóvel.
Nem os mortos, nem as pedras,
nem o sangue dos cínicos.
Apenas, as coisas da vida se espreguiçam
de seus atritos,
e há uma, às vezes, leve, às vezes,
drástica
queda
na voragem
e no vórtex da morte.
Quando disso, tornamo-nos (e as outras coisas atômicas)
mais propensos à dinâmica da dor e da saudade,
além de outras sentimentalidades.
É aí que se abre (diferente da fome e do medo,
filhos do arrastar dos intestinos)
um espaço dentro do tempo
em que nos aceleramos
em direção a um outro nós
que nos espera de espada à mão
sem nos conhecer.

08/02/12

domingo, 29 de janeiro de 2012

II Blues do Nordeste

A Gambiarra Blues Band convida todos os amigos a compartilharem de ONZE dias de boa música com alguns dos artistas mais representativos do blues feito no Nordeste. Valerá muito a pena participar, galera. Aqui está o link da programação: II Blues do Nordeste.
Bossimbora!

domingo, 8 de janeiro de 2012

FORMOSA


“Mulher que nega
Não sabe não
Tem uma coisa de menos no seu coração”

Carinho é coisa incompleta.
Por isso mesmo, é nuvem de céu equatorial:
passa, ensombra, esfacela-se meiga e reinventa suas formas
no azul e no negro, igualmente;
porém não chove
e à terra, que sua alma acaricia
— pois a sombra é a alma do que é vazio —,
não lambe a pele com seus rios,
nem se lhe entranha com seus veios.
Não lhe goza na carne triste a renhida temporã
de um amor de macho transformado em força,
em mares despedaçados em partículas de vida.
Carinho é feito moça donzela,
que tem mais valor no guardado da prenda
que têm nas bocetas as humildes prostitutas
que saem pelas esquinas, distribuindo chuvas e sorrisos de meias-noites.
O sazonal da vida do homem
só conhece o beijo lânguido daquela,
ou o outro, negado, desta,
mas, nunca, a primavera!,
quando a terra casa e copula,
e quando nascem dos caroços de manga, enterrados na prenhidão dos amantes,
a doçura de estarem amados
como os amaram no mais profundo de seus corações
suas esperas amargas de tantas e longas estiagens.

08/01/12


Poema escrito em parceria de espírito com minha amiga Daniele Fernandes, que o conheceu talvez até antes de mim. Beijo, Dani.