Noite afora, as horas rezam caladas nos ponteiros e na alma.
Quando o sono vence o combate, o corpo, esgueirado entre a noite já ida,
Sussurra e se rende sossegado, lânguido, suspirado.
No céu, ainda alguns vultos e estrelas. Tu contas as que caem.
Ao meu lado, partículas da noite ainda gemem e suam e se dobram e se unem
Onde há pouco houve inteira essa mesma noite.
Se estico o braço, ainda toco e sinto o calor que nela deixamos.
Em teu seio mora aconchegado o som morno do nosso cansaço.
Em teu olhar — esse olhar de gengibre, tão vivo e tão terno —
Se estampa a entrega do meu:
Um beijo que continua o beijo,
Ao que me cobre a nudez com que teu olhar me despe.
Em minha boca, o teu gosto doce, amargo, salgado, forte, renitente.
E nela, ainda um mesmo beijo continua o beijo dado.
Dentro dessa noite fizemos nascer um calor solar
Que aquece todo o espaço frio entre nós e as tantas outras estrelas
Que, em suas constelações, nos observam placidamente adormecer.
E raiam como nós
E brilham como nós.
03/08/2002
Quando o sono vence o combate, o corpo, esgueirado entre a noite já ida,
Sussurra e se rende sossegado, lânguido, suspirado.
No céu, ainda alguns vultos e estrelas. Tu contas as que caem.
Ao meu lado, partículas da noite ainda gemem e suam e se dobram e se unem
Onde há pouco houve inteira essa mesma noite.
Se estico o braço, ainda toco e sinto o calor que nela deixamos.
Em teu seio mora aconchegado o som morno do nosso cansaço.
Em teu olhar — esse olhar de gengibre, tão vivo e tão terno —
Se estampa a entrega do meu:
Um beijo que continua o beijo,
Ao que me cobre a nudez com que teu olhar me despe.
Em minha boca, o teu gosto doce, amargo, salgado, forte, renitente.
E nela, ainda um mesmo beijo continua o beijo dado.
Dentro dessa noite fizemos nascer um calor solar
Que aquece todo o espaço frio entre nós e as tantas outras estrelas
Que, em suas constelações, nos observam placidamente adormecer.
E raiam como nós
E brilham como nós.
03/08/2002
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