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terça-feira, 17 de julho de 2012
PONTE DE CORDAS
Tu querendo, eu me transformo.
Sou capaz de ser minhas contraideias,
meus desconselhos.
Uma vez paradigma,
faço de mim mesmo o alvo de meu contrário,
o cheio do outrora vazio,
o escorrer pelo ralo de minhas preciosidades.
Por ti me perco, por ti me esqueço.
Por ti me emburro.
Por tua causa, eu me simplifico
na submissão dos humilhados, dos torturados,
na incapacidade de desenhar vontades além do minuto presente
— que subjaz à graça pela sobrevivência ao anterior —,
na entrega constante de mim para remir-me,
para me perdoares, para me estenderes a tediosa mão complacente.
Por ti, eu me acanho
sob o jugo severo de tua esguelha.
E me despedaço, e soluço, e me engasgo
se não me acertas o prumo com teus soslaios.
Sou capaz de dizer de mim mesmo absurdos,
de esturricar-me sem pele às chicotadas das víboras,
de desfazer-me, de diminuir-me, de sumir! — se te agradas.
Só não me peças — ah!, isso, nunca! — que te entenda.
A te entender, prefiro odiar-te,
pois não me presto a essas mesquinharias,
nem me vão as tripas com tais baixezas.
Entender-te é negar em mim o mistério de amar-te,
e mistério
é tudo que sustenta a ponte de cordas entre os teus
e os meus olhos.
16/07/12
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