Rafaela Camelo - A natureza das coisas invisíveis (2025)
(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda, para acessar a página de origem.)
(Clique na imagem para ampliá-la e na legenda, para acessar a página de origem.)
Rafaela Camelo escreveu e dirigiu essa delicadeza crua como quem resgata junto consigo toda uma legião de sentimentos extremamente frágeis, além de complicados de se abordarem, que concernem à maternidade, ao matriarcado, à infância, à transgeneridade, à morte, à transcendência, à espiritualidade, ao tecido da vida, suave como uma cicatriz exposta no peito de uma menina. O filme segue à risca a Lei da Arma de Tchekhov desde a primeira cena e segue se bordando numa cadência quase musical, em que o naturalismo e o realismo fantástico se organizam como harmonia e melodia, o que também se aplica às dualidades vida-morte e cidade-sertão.
O elenco é maravilhoso (assim como a sua direção) e entrega interpretações que, além de cativantes, fogem dos lugares-comuns de seus papéis (mães solo, crianças deslocadas, idosos enfermos), já que suas personagens têm uma originalidade que anda paralela à verossimilhança, o que me convenceu de sua existência provável, mesmo com os elementos metafísicos presentes nelas. Destacam-se Larissa Mauro e Camila Márdila (as mães), Laura Brandão e Serena (as filhas), e Aline Marta Maia (a bisavó), além da deliciosa participação final de Chico Sant’Anna (o bisavô).
Além do mais, é um filme que usa na mesma trilha Milton Nascimento cantando Fazenda (Nelson Ângelo), Quero ser locomotiva (Jorge Mautner), por ele mesmo, e Fernando Mendes mandando Eu queria dizer que te amo numa canção (Fernando Mendes, Iracema Pinto e Miguel) com um sentido novo e muito mais lindo que o original, que nunca mais vai sair da minha memória. Não bastasse isso, conta com o auxílio luxuoso das Encomendadoras de Alma de Santana dos Brejos-BA, numa sequência tão carregada de significado que, por si só, já torna o filme extremamente interessante.
É do ano passado, mas, certamente, já está entre os melhores que vi este ano. Assistam de coração exposto.
30/01/26
O elenco é maravilhoso (assim como a sua direção) e entrega interpretações que, além de cativantes, fogem dos lugares-comuns de seus papéis (mães solo, crianças deslocadas, idosos enfermos), já que suas personagens têm uma originalidade que anda paralela à verossimilhança, o que me convenceu de sua existência provável, mesmo com os elementos metafísicos presentes nelas. Destacam-se Larissa Mauro e Camila Márdila (as mães), Laura Brandão e Serena (as filhas), e Aline Marta Maia (a bisavó), além da deliciosa participação final de Chico Sant’Anna (o bisavô).
Além do mais, é um filme que usa na mesma trilha Milton Nascimento cantando Fazenda (Nelson Ângelo), Quero ser locomotiva (Jorge Mautner), por ele mesmo, e Fernando Mendes mandando Eu queria dizer que te amo numa canção (Fernando Mendes, Iracema Pinto e Miguel) com um sentido novo e muito mais lindo que o original, que nunca mais vai sair da minha memória. Não bastasse isso, conta com o auxílio luxuoso das Encomendadoras de Alma de Santana dos Brejos-BA, numa sequência tão carregada de significado que, por si só, já torna o filme extremamente interessante.
É do ano passado, mas, certamente, já está entre os melhores que vi este ano. Assistam de coração exposto.
30/01/26

Nenhum comentário:
Postar um comentário