(a Lidiane Lima)
Não há guardar em que se guarde o amor.
Ele é vivo e largo mais que a vida,
Pois, quando chega, já é só partida,
Mas partir não vai, sem no viver se pôr.
Viver que se faz, no teu, a se compor:
Como o amor que se esvai da mão perdida
Que, por retê-lo, espasma, espavorida,
Sem ver que, em se perder, já é só amor.
Assim tu és, sólida evanescência,
Que vive o dar-se, mas não o se entregar,
E, em contraste, tocas e é intangível.
Porque em ti, o amor é o verdadeiro amar,
Pois não se pode ter o incontível,
Como, do amor, raptar a extrema essência.
01/05/06
Não há guardar em que se guarde o amor.
Ele é vivo e largo mais que a vida,
Pois, quando chega, já é só partida,
Mas partir não vai, sem no viver se pôr.
Viver que se faz, no teu, a se compor:
Como o amor que se esvai da mão perdida
Que, por retê-lo, espasma, espavorida,
Sem ver que, em se perder, já é só amor.
Assim tu és, sólida evanescência,
Que vive o dar-se, mas não o se entregar,
E, em contraste, tocas e é intangível.
Porque em ti, o amor é o verdadeiro amar,
Pois não se pode ter o incontível,
Como, do amor, raptar a extrema essência.
01/05/06
Quando escrevi esse texto, eu tinha um projeto de elaborar um livro de sonetos em que cada um fosse dedicado a um dos meus melhores amigos. O projeto ainda existe, ainda que engavetado. Um dia, ele gritará em mim a sua conclusão.
Esse soneto, eu o fiz àquela de quem costumo dizer ser a única pessoa no mundo todo que sabe abraçar-me "direito". Porque quando ela o faz, não é com os braços, não é com o corpo nem com a amizade. É com a alma inteira, que a minha embraça e veste, e, por ela, é também vestida.
Nenhuma declaração de amor é o suficiente pra expressar essa identidade, esse olhar que é o meu dentro do meu, dentro do dela, essa compreensão, essa valorização.
Ela é uma flor que eu vi crescer e desabrochar, petalando-se e perfumando a si e, graças a Deus, aos que têm sensibilidade às flores (Deus sabe que há flores que não se dão).
Há muito, eu procurava um substantivo que pudesse descrevê-la como eu a via: um pulso de luz, uma intensidade intermitente, um iluminar e escurecer, um dia de sol e uma noite negra alternada, crescente e eternamente.
Parece que ela o achou antes de mim, e perfeitamente: Lampejos
Pulse, minha linda. Encandeie!
Esse soneto, eu o fiz àquela de quem costumo dizer ser a única pessoa no mundo todo que sabe abraçar-me "direito". Porque quando ela o faz, não é com os braços, não é com o corpo nem com a amizade. É com a alma inteira, que a minha embraça e veste, e, por ela, é também vestida.
Nenhuma declaração de amor é o suficiente pra expressar essa identidade, esse olhar que é o meu dentro do meu, dentro do dela, essa compreensão, essa valorização.
Ela é uma flor que eu vi crescer e desabrochar, petalando-se e perfumando a si e, graças a Deus, aos que têm sensibilidade às flores (Deus sabe que há flores que não se dão).
Há muito, eu procurava um substantivo que pudesse descrevê-la como eu a via: um pulso de luz, uma intensidade intermitente, um iluminar e escurecer, um dia de sol e uma noite negra alternada, crescente e eternamente.
Parece que ela o achou antes de mim, e perfeitamente: Lampejos
Pulse, minha linda. Encandeie!

