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domingo, 16 de janeiro de 2011

O SiSU!



Uma geração inteira usada como cobaia do MEC. Para muitos, um ano jogado fora. Sequer se pode dizer que houve uma experiência com a qual se aprenda algo, exceto a própria e total ineficiência da própria experiência. Desde a imposição do processo, passando pela irresponsabilidade, pelo descaso, pelo desrespeito e pela total falta de lisura na aplicação das provas, até isto: o Sistema de Seleção Unificada (SiSU)! Este é o mais novo martírio que flagela o pobre candidato à tão sonhada "inclusão" no Ensino Superior mediante o que ele acredita ser a premiação pelo esforço de toda a sua vida pré-acadêmica. Um dia inteiro (de outros que virão, certamente) gasto na frente de um computador, humilhando-se virtualmente à ingerência e à inépcia do INEP, do MEC e afins.

Adeptos e defensores da tal da "nova Pedagogia" (todo o meu respeito aos pedagogos de verdade, aqueles que ENSINAM), aplaudam! Aí está o outro lado da corrente, a consequência de todo o afrescalhamento do método de ensino paulofreireano (totalmente desvirtuado!) que vocês tanto apregoaram como a salvação da educação brasileira: um arremedo de faz de conta que só serviu para as estatísticas positivas em um relatório a ser entregue a quem realmente manda, e que nem sequer está neste país.

Alunos, professores, aplaudamos também, pois ou fizemos pouco ou não fizemos nada!

Colocamos narizes de palhaço em passeatas pacíficas, crentes que estivemos no mundo cor de rosa panfletário dessa geração colorida, tão inepta, tão alienada do que é necessário para que se ouça algo no Brasil. Nossa história nos ensinou, se é que ainda sabemos o que é história, que o grito é pouco. A última grande mobilização popular que tivemos (“Fora, Collor”) ocorreu somente depois de haverem confiscado a poupança, mexendo, assim, na única razão que parece nos mobilizar em massa depois do fim da ditadura: o dinheiro. Desesperemos, pois aqui está a pergunta: que importa se milhões de candidatos (entendam-se milhões de sonhos, de projetos, anseios inocentes etc.) foram lesados pelo ENEM se, de acordo com o MEC, o processo foi um sucesso? Financeiramente, inclusive?

Nós estamos em um estágio interessantíssimo de sociedade. Nós elegemos o Tiririca, aplaudimos a farsa da comprovação de seu letramento, já havíamos mandado o supracitado Collor de Melo de volta a uma tetinha da mãe República, reelegeríamos Sarneys, Malufs e corroboraríamos inclusive a volta do demônio militar, devido ao altíssimo índice de violência que nós mesmos criamos e à solução fácil de colocar alguém de farda no comando de uma sociedade que vive e sobrevive pelo medo (os EUA finalmente abriram uma filial aqui). Suportamos rindo (ora, isso não é nada…) o racismo patente entre as nossas regiões, apoiamos alegremente a morte paulatina de nossa cultura em função de algo que sequer tem nome!

Em contrapartida, causam-nos uma indignação, ainda que comportadinha, o ENEM e o Haddad e os fiscais de prova que não sabiam sequer a diferença entre um relógio e um aparelho celular, o vazamento da prova de redação em Pernambuco, o INEP, seu presidente, Joaquim José Soares Neto, as provas erradas (palmas merecidas para a ação civil pública do MPF do Ceará em contrário ao absurdo que se cometeu, e para a juíza da 7ª Vara Federal, Karla de Almeida Miranda Maia, que a aceitou), enfim, causa-nos indignação sermos tratados como gado, e gado do alheio, visto que o nosso governo parece se portar como “pastor” de um pecuarista que fala outra língua.

Que dizer disso? Que sorte de povo é esta, que convive na fossa séptica social em que foi jogada, mas exige guardanapos de seda branca?

Talvez só saibamos daqui a uns dez anos, quando quase todos os desta geração já tenham saído ou estejam saindo de suas respectivas faculdades, de canudinho na mão.

Que cantiga irão eles cantar? Que universidade pública ficará depois disso?

16/01/2011

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