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sábado, 29 de janeiro de 2011

A MENINA RUIVA

 Ian Robin MacLaury - Crazy Redhead

“(…) Em tardes assim, queremos fechar os olhos e abrir o relicário de árvores antigas, cheio de mitos e aventuras e casais enamorados; queremos deitar e respirar todas as lembranças alheias, tomando-as para a nossa própria vida, no momento, tão sem significado, tão miúda e sem copa, sem tronco… sem raiz. E parece que nos tornamos parte da tarde, do seu azul infindo, da idade repleta dos cajueiros e das mangueiras, e ganhamos raiz primeiro. Raiz que nos faltava, desequilibrando-nos em sua falta.”

Fragmento de Trecho, de Rebeca Xavier
 

Olharmos para fora e preenchermo-nos com o que refletimos… Parece bom, não é? Parece que tudo ganha voz, tudo se comunica, tudo diz. E ouvimos tudo, e tudo é tanta coisa… Parece que nem o tínhamos dentro de nós, parece que nem nos reconhecemos naquele que olha, mas no chão, nas gretas, nos vincos das folhas, na beleza tão óbvia que lhes conferimos como se houvesse somente fora de nós, somente em nossa imaculadora observação. Já tudo (que é tanto) nos macula com vida, com a sujeira mundana e terrenal da vida. Parece mesmo que a vida precisa de espelhos para existir, como se nossas raízes só crescessem querendo se tocar, querendo ser floresta onde o vento mova-nos a todos, e bailemos, e existamos como um trigal, indissolúveis como a cabeleira vermelha daquela menina que sorri com o rosto sujinho de manga e terra, linda, linda.

29/01/11

3 comentários:

Rebeca Xavier disse...

As tuas respostas são sempre infinitamente mais belas que as minhas perguntas. E elas enriquecem o nosso eterno diálogo.

Silvio Vasconcellos disse...

Olá, Fernando!

Parabéns pelo blog. Fazes da junção dos textos e das imagens algo que é capaz de preencher o espaço vazio entre as palavras.

Muito bom, mesmo!

Abraço

Sílvio
Minimínimos

Eduarda disse...

Fernando,

Dois textos que se entrecruzam, numa dança de memórias, numa valsa poética da infância que existe e que por vezes renegamos.

bj