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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Samarica Parteira

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Essa joia da música popular brasileira foi composta em 1973 por Zé Dantas e Luiz Gonzaga.
Ela faz parte da minha memória afetiva desde um tempo que não sei determinar. Ela tem gosto de café com pão de manhã com o rádio ligado na FM Universitária, com minha mãe me contando o belo e o engraçado da vida. Ela tem gosto de viagem ao interior pra visitar minha história, minhas árvores, meus rios, minhas pescarias. Ela tem gosto de gente de verdade, coisa rara nestes dias...
Eu me lembro, por exemplo, da passagem "Pois é assim merm' minha fi'a, vosmecê casou com o vein' pensando que ela num era de nada? Agora cumpra seu dever, minha fi'a. Desde que o mundo é mundo que a muié tem que passar por esse pedacinh'. Ai, que saudade!" e de minha mãe morrendo de rir, e eu, ali, aprendendo o valor de uma história bem contada, de um rádio ligado, de gente reunida em torno de um legítimo representante de sua história... Este é Luiz Gonzaga, o maior representante musical de um povo que está passo a passo descaracterizando-se, perdendo-se, macaqueando-se em cópias de cópias de cópias de falsas identidades culturais. Ele empresta todo o seu talento de legítimo contador de legítimas histórias do interior do nordeste do Brasil a esta maravilha que tem tantos sabores, que faz parte da cozinha de minha casa, do cheiro do café, do som da risada de minha mãe.
Gonzagão tinha e tem esta função tão fundamental: reunir gente pra fazê-la vivenciar-se.
É pra se ouvir assim.
Aproveitem.

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