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domingo, 21 de novembro de 2010

A SOMBRA ONIPRESENTE

Estive só de todos os outros,
Mesmo daqueles de sombra, confrades dessa vida.
Mas, talvez não.
Talvez fosse por essa noite sem lua e sem estrelas,
Que, onda silenciosa, tudo une e tudo iguala.
Nela, tudo são sombras.
E, por termos sido todos os mesmos,
Não nos reconhecêramos.

Mas, quem me fiaria que, no meio daquela noite inteira,
Houvesse mais que uma sombra…
Quem me garantiria na ausência do sol
Um elucidar-me nas ruas, nos muros, na areia aprisionada do cimento,
Desenhado ali
Como um timbre do espaço que ocupava?
Como um ponteiro afirmando uma hora negra no chão?
À noite, a hora termina os homens.

Observei-a ser uma, então modificar-se
E ser vária, ser muitas, até ser tudo.
Observei-a, sabendo-me fadado
A ser só e eternamente um,
Como uma âncora sem cabos
Vestindo-se de um dilúvio lento e negro.
Vórtice de uma superposição de águas.
Até que, por um momento que ainda não terminou,
Senti-me como a âncora que se libertara do barco
Para, apêndice arrancado, perder sua gênese
E dar-se ao leito de todos os mantos no fundo do mar.

21/11/10

Um comentário:

Eduarda disse...

Palavras que entraram forte e fizeram viajar.

Sempre o prazer de te ler.

bj